ENEM 2025 — Belém/Ananindeua/Marituba · Linguagens · Questão 29
Falavam-me sempre no perigo de subir à Favela. Nos seus terríveis valentes. Nos seus malandros que assaltam com a mesma facilidade com que se dá bom-dia.
O maior perigo que eu encontrei na Favela foi o risco, a cada passo, de despencar-me de lá de cima pela pedreira ou pelo morro abaixo.
Aquela gente, que não tem nada, dá uma profunda lição de alegria àqueles que têm tudo.
Sem higiene, sem conforto, naqueles pequeninos casebres [...], que se arriscam, a cada instante, a voar com o vento ou despencar-se lá de cima; aquela população de homens valentes — estivadores, carvoeiros, embarcadiços — e de mulheres anemiadas e fracas, e de crianças mal alimentadas e em trapos, cria porcos, bebe cachaça, toca cavaquinho e canta!...
COSTALLAT, B. **Mistérios do Rio**. Rio de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, 1990.
Em 1924, quando foi publicada essa crônica, predominava uma visão estigmatizada e preconceituosa sobre as comunidades no Rio de Janeiro da Primeira República. Nesse trecho, essa percepção é
- A reforçada pelas ameaças enfrentadas na favela, habitada por valentes e malandros.
- B atenuada por uma visão romântica sobre a comunidade, compreendida como festiva.
- C ressignificada pela exposição do real perigo do morro, materializado pelo risco de queda.
- D relativizada por uma compreensão ambivalente do morro, constituído por mazelas e alegrias.
- E enfatizada pela denúncia das más condições da vida local, marcada pela falta de higiene e conforto.